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Arquivo da categoria ‘*** Poemas - A Voz do Silêncio - Huberto Rohden’

Prelúdio

Publicado por skalybhur em Janeiro 3, 2008

Quando os sentidos falam, a mente se cala.

Quando a mente fala, a alma se cala.

Somente em total silêncio verbal e mental pode a alma falar.

E esse falar é profundo silêncio

- como o nascer do Sol,

- como a luz das estrelas,

- como o perfume das flores,

- como o amor do espírito,

- como os vastos desertos,

- como o cume das montanhas.

O colóquio da alma com Deus e o solilóquio da alma consigo mesma é a Voz do Silêncio.

Esse silêncio é plenitude.

Esse silêncio é presença.

Esse silêncio é Verdade.

A Verdade não pode ser pensada.

A Verdade não pode ser falada.

A Verdade só pode ser calada.

Quando a Verdade invade o homem, torna-se ele silêncio dinâmico como a alma do Universo, cujo profundo Ser transborda em vasto Agir.

E esse silencioso Ser, que parece ausência e vacuidade, é Infinita presença e transbordante plenitude.

O  homem que ouviu a Voz do Silêncio é tão feliz que nenhum ruído externo o pode tornar infeliz. Todas as circunstâncias são dominadas por sua substância.

*

*          *

 

Após o Egocídio

Meu era o dinheiro.

Meu era o corpo.

Meu era o intelecto.

Meu era isto.

Meu era aquilo.

Tudo era meu.

Só meu – e de mais ninguém.

E, para constar que tudo aquilo era meu,

Eu fazia seguros de vida e de bens,

Assinava, sobre estampilhas oficiais,

Com firma reconhecida,

Solenemente carimbado,

Que isto e aquilo era meu,

Meu somente…

Tamanha era a insensatez!

Tão inseguro era eu,

Que de tantos seguros necessitava!

Eu era senhor de tantos ”meus”?

Porque ainda ignorava o meu verdadeiro Eu,

Que não necessita de ”meus” nem de ‘’seguros”.

Identificava-me com o meu pseudo-eu,

Com o meu ego personal,

Que necessita de ”meus” e de ‘’seguros”,

Porque é um pseudo-eu muito inseguro…

Quem de tudo isto necessita

É um necessitado, um pobre indigente.

Agora, porém, que ultrapassei o meu pseudo-eu,

Aboli quase todos os ”meus”.

Também, para que ainda defender os fortins de ”meus”,

Depois que se rendeu a fortaleza do pseudo-eu?

Aqueles ”meus” só tinham uma razão de ser:

Garantir a existência do falso eu.

Mas agora que o falso eu morreu,

Agora que cometi o arrojado egocídio do ego -

Para que ainda manter esses velhos fortins,

Que o ego erguera em sua defesa?

Para que fortificar ainda o cadáver do ego?

.

Naquele tempo, toda a segurança me vinha de fora,

Da parte desses ”meus”.

Hoje, toda a minha segurança me vem de dentro,

Da alma do meu divino Eu.

Se sente seguro até o pequeno ego

E reviveu no Eu.

Se o ego não morresse,

Ficaria estéril;

Mas agora que morreu para si,

E ressurgiu no Eu -

Produz muito fruto…

 

Huberto Rohden

Do Livro a Voz do Silêncio

 

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Os poemas deste livro ‘A Voz do Silêncio’ de Huberto Rohden (Editora Alvorada) , devem ser saboreados em profundo silêncio, de alma para alma. Não nasceram da mente, e não devem ser mentalizados. Quem os vive e vivencia entra em solilóquios místicos com sua alma e em colóquios cósmicos com Deus. Envolverá num halo de poesia a sua vida e permeará do elixir da imortalidade sua alma.

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Adorei ler este livro .

Coloco aqui alguns poemas de Huberto Rohden  que mais me tocaram a alma. Vale a pena ler.

 

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