Quando os sentidos falam, a mente se cala.
Quando a mente fala, a alma se cala.
Somente em total silêncio verbal e mental pode a alma falar.
E esse falar é profundo silêncio
- como o nascer do Sol,
- como a luz das estrelas,
- como o perfume das flores,
- como o amor do espírito,
- como os vastos desertos,
- como o cume das montanhas.
O colóquio da alma com Deus e o solilóquio da alma consigo mesma é a Voz do Silêncio.
Esse silêncio é plenitude.
Esse silêncio é presença.
Esse silêncio é Verdade.
A Verdade não pode ser pensada.
A Verdade não pode ser falada.
A Verdade só pode ser calada.
Quando a Verdade invade o homem, torna-se ele silêncio dinâmico como a alma do Universo, cujo profundo Ser transborda em vasto Agir.
E esse silencioso Ser, que parece ausência e vacuidade, é Infinita presença e transbordante plenitude.
O homem que ouviu a Voz do Silêncio é tão feliz que nenhum ruído externo o pode tornar infeliz. Todas as circunstâncias são dominadas por sua substância.
*
* *
Após o Egocídio
Meu era o dinheiro.
Meu era o corpo.
Meu era o intelecto.
Meu era isto.
Meu era aquilo.
Tudo era meu.
Só meu – e de mais ninguém.
E, para constar que tudo aquilo era meu,
Eu fazia seguros de vida e de bens,
Assinava, sobre estampilhas oficiais,
Com firma reconhecida,
Solenemente carimbado,
Que isto e aquilo era meu,
Meu somente…
Tamanha era a insensatez!
Tão inseguro era eu,
Que de tantos seguros necessitava!
Eu era senhor de tantos ”meus”?
Porque ainda ignorava o meu verdadeiro Eu,
Que não necessita de ”meus” nem de ‘’seguros”.
Identificava-me com o meu pseudo-eu,
Com o meu ego personal,
Que necessita de ”meus” e de ‘’seguros”,
Porque é um pseudo-eu muito inseguro…
Quem de tudo isto necessita
É um necessitado, um pobre indigente.
Agora, porém, que ultrapassei o meu pseudo-eu,
Aboli quase todos os ”meus”.
Também, para que ainda defender os fortins de ”meus”,
Depois que se rendeu a fortaleza do pseudo-eu?
Aqueles ”meus” só tinham uma razão de ser:
Garantir a existência do falso eu.
Mas agora que o falso eu morreu,
Agora que cometi o arrojado egocídio do ego -
Para que ainda manter esses velhos fortins,
Que o ego erguera em sua defesa?
Para que fortificar ainda o cadáver do ego?
.
Naquele tempo, toda a segurança me vinha de fora,
Da parte desses ”meus”.
Hoje, toda a minha segurança me vem de dentro,
Da alma do meu divino Eu.
Se sente seguro até o pequeno ego
E reviveu no Eu.
Se o ego não morresse,
Ficaria estéril;
Mas agora que morreu para si,
E ressurgiu no Eu -
Produz muito fruto…
Huberto Rohden
Do Livro a Voz do Silêncio
*
* *
Os poemas deste livro ‘A Voz do Silêncio’ de Huberto Rohden (Editora Alvorada) , devem ser saboreados em profundo silêncio, de alma para alma. Não nasceram da mente, e não devem ser mentalizados. Quem os vive e vivencia entra em solilóquios místicos com sua alma e em colóquios cósmicos com Deus. Envolverá num halo de poesia a sua vida e permeará do elixir da imortalidade sua alma.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Adorei ler este livro .
Coloco aqui alguns poemas de Huberto Rohden que mais me tocaram a alma. Vale a pena ler.